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Debêntures incentivadas respondem por R$ 6,5 bilhões de investimentos, nas áreas de logística e transportes, somente este ano

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Valor foi apresentado pelo diretor do departamento de fomento e desenvolvimento da infraestrutura nacional, Rafael Furtado, durante a Intermodal Xperience 2021

O debate sobre as emissões de debêntures incentivadas para os setores logístico e de transporte de cargas do país ganhou mais um capítulo nesta quinta-feira, 2. O tema foi um dos destaques do segundo dia da Intermodal Xperience 2021, o maior evento digital da América Latina para estes mercados, que está sendo realizado ao longo desta semana.

Para o diretor do departamento de fomento e desenvolvimento da infraestrutura nacional, vinculado ao Ministério da Infraestrutura, Rafael Furtado, esta é uma discussão extremamente relevante, visto que os setores logístico e de transporte de cargas são dois dos maiores demandantes do recurso. Desde 2012, quando esse tipo de financiamento foi criado, os projetos destes segmentos foram responsáveis pela emissão de, aproximadamente, 23% das debêntures incentivadas de infraestrutura - ficando atrás apenas das emissões provenientes da área energética, que respondem por cerca de 69%.

“De lá para cá, aproximadamente R$126 bilhões foram investidos na área da infraestrutura por meio de debêntures incentivadas e o setor de logística e de transporte responde por cerca de R$30 bilhões deste total. Somente este ano, tivemos as emissões de R$ 12 bilhões no setor de energia e de mais R$6,5 bilhões nas áreas de logística e de transporte. Para se ter uma ideia, em 2021, já temos mais financiamentos por meio de debêntures incentivadas do que pelo BNDES, no setor de infraestrutura”, afirmou.

Quem também comentou o assunto na segunda edição do evento virtual - promovido pela Intermodal (a maior plataforma de negócios para estes mercados) e pela Associação Brasileira de Logística (ABRALOG) - foi o diretor de relações institucionais da Frente Parlamentar Mista de Logística e Infraestrutura (Frenlogi), Edinho Bez. O parlamentar ressaltou o Projeto de Lei que está em tramitação no Senado Federal - o PL 2.646 de 2020, mais conhecido como PL das Debêntures, que atualiza o papel das debêntures de infraestrutura, promove alterações no marco legal das debêntures incentivadas e na regulação dos fundos de investimentos do setor.

“Esse projeto nasceu pela falta de capacidade do Governo Federal em promover investimentos na área da infraestrutura nacional e em atender as demandas do setor. Percebemos que, se o governo não possuía recursos, precisávamos encontrar alternativas. Este foi o principal intuito da criação desse PL, que tem como objetivo alavancar recursos para o setor, incentivar os investidores a realizarem seus aportes no país, garantir mais segurança jurídica para eles e, acima de tudo, resgatar a esperança dos brasileiros. Além disso, queremos também facilitar este processo e torná-lo menos burocrático, de forma com que os interessados sintam-se mais à vontade para apostar no Brasil”, completou.

Perspectivas para o mercado de real estate, galpões e condomínios logísticos no Brasil - O desempenho do mercado imobiliário de galpões logísticos industriais, em 2020 e 2021, surpreendeu até os especialistas mais otimistas da área. A sócia fundadora da SDS Properties, imobiliária de imóveis logísticos industriais, Simone Santos, destacou que, no pior ano da história global recente, quando o mundo foi acometido pela pandemia do coronavírus no começo de 2020, o mercado de condomínios logísticos iniciou um novo ciclo. “Os condomínios logísticos transformaram-se na ‘jóia da coroa’ do mercado imobiliário”.

Os números do setor em 2020 mostram o começo desse novo ciclo, com a locação de 2.600.000 m², uma taxa de vacância de 14% e um valor médio de locação em R$19 por m². E em 2021, a indicação das estatísticas do mercado é que esses resultados positivos serão mantidos. No segundo trimestre deste ano, de acordo com a SiiLa - plataforma de dados do mercado imobiliário comercial - o valor médio de locação está em R$19,23 e a taxa média de vacância em 10,58%. Em uma simples comparação, o último ciclo do setor, de 2014 a 2019, registrou uma média de vacância na marca de 30% em algumas regiões e valores de locação abaixo de R$15 por m². 

A sócia fundadora da SDS Properties explicou que, no cenário atual, o principal fator para explicar esse movimento é o boom do e-commerce, uma tendência que virou realidade e exigiu a locação de mais galpões para serem utilizados como centros de distribuição por operadores logísticos. Outro fator relevante foi a queda na taxa Selic, que abriu caminho para os fundos imobiliários, gerando volume nas locações e no interesse em novos investimentos.

Simone ressaltou também os novos mercados em outros estados, fora de São Paulo, que estão sendo potencializados também pelo e-commerce e por incentivos fiscais. Um exemplo é na cidade de Extrema, em Minas Gerais, onde não há vacância de galpões e os valores médios de locação são R$ 24 por m². “A região recebeu grandes centros de distribuição de marcas como a Dafiti, Tok & Stok e Mercado Livre. As novas locações acontecem antes do término da construção”, pontuou a executiva, que acrescentou: “percebemos uma menor flexibilidade dos proprietários nas negociações, neste novo ciclo é a vez deles”.

Pensando no futuro, Simone aposta que o crescimento orgânico da atividade do comércio eletrônico será mantido e, como consequência, as perspectivas para a demanda por galpões logísticos seguirá nos próximos anos. Ela alertou que as empresas de e-commerce precisam estar atentas quanto à necessidade de ocupações futuras, uma vez que a falta de galpões é um entrave na operação, que afeta diretamente o negócio dessas empresas. Uma solução para esse potencial problema são as pré-locações e as construções sob encomenda. “Para o segundo semestre de 2021, já foram encomendados 1.100.000 m² nestes formatos em todo o Brasil. E a projeção total de novos empreendimentos para 2021 é de 3 milhões de m²”, finalizou. 

Digitalização, Conectividade e o Impacto no Sistema de Transportes - Já o diretor executivo da Confederação Nacional do Transporte (CNT), Bruno Batista, participou da Intermodal Xperience com uma palestra sobre como as atividades de transporte são impactadas com a digitalização da cadeia de suprimentos, uma vez que o setor é responsável por realizar a conexão entre os diversos elos da cadeia. 

Batista destacou que as soluções de digitalização da cadeia de suprimentos agregam um fator de competitividade e promovem benefícios ao segmento, como a redução dos custos de governança e de transações financeiras ao lidar com parceiros externos, melhor coordenação e controle das cadeias de abastecimento dispersas, e um aumento da importância de uso dos dados dos consumidores e da customização de produtos que transferem uma geração de valor para a ponta final do processo. 

“Uma tendência, que deve crescer muito nos próximos anos, é a manufatura mais próxima do consumidor. Um exemplo é o uso de impressoras 3D para a produção de tênis personalizados para o pé de cada cliente. Isso faz com que a cadeia produtiva ganhe valor na sua última etapa, o que gera um impacto em termos de agilidade, formação de estoque e entrega do produto”, explicou o diretor executivo da CNT. 

Ele também ressaltou as soluções digitais e de sustentabilidade que já são aplicadas e outras que estão em desenvolvimento, com o objetivo de aumentar a eficiência do setor de transporte no serviço de movimentação de cargas e passageiros. Para ele, o ápice da tecnologia automotiva, atualmente, são os veículos autônomos, que promovem maior eficiência na utilização do sistema viário e na redução do consumo de combustível e da emissão de poluentes. Entretanto, um contraponto é o déficit da infraestrutura rodoviária e o roubo de cargas. 

“Os veículos autônomos têm como premissa básica a segurança, ao não se envolverem em acidentes, ou seja, qualquer interrupção, eles param”, avaliou. Outra solução que também é vista como uma tendência são os pavimentos inteligentes, com a capacidade de recarregar veículos elétricos por meio de uma indução instalada nos pavimentos e de abastecer os veículos em trânsito através de uma fiação catenária colocada sobre as vias. 

No que diz respeito às inovações e como elas podem aumentar a eficiência do setor de transportes de carga e passageiros, o único ponto de atenção é a infraestrutura do país. “O único fator no qual o setor de transportes não tem ingerência é a infraestrutura”, enfatizou. Segundo um levantamento da própria CNT, em uma análise da evolução dos investimentos públicos em infraestrutura de transporte em todas as modalidades - estradas federais, portos, aeroportos e ferrovias -  o orçamento está declinando a cada ano. Em 2021, estão disponíveis para investimentos em transportes cerca de R$8 bilhões - em comparação ao ano de 2012, em que o aporte público injetado no setor foi de R$28 bilhões. 

Já um outro mapeamento da confederação indica que seria necessário o investimento mínimo de R$1,7 trilhão, em 2.663 projetos, para solucionar os problemas existentes e redimensionar, em termos de capacidade e eficiência, as infraestruturas de transporte no Brasil. “À medida que esses investimentos públicos não acontecem, a conta sobe mais a cada ano. E quem paga essa conta no final é toda a cadeia de suprimentos, que faz uso do sistema de transporte no Brasil”, afirmou Batista, que ainda acrescentou sobre a capacidade atual de investimento público no setor: “é preciso garantir um programa de aumento dos investimentos públicos, que são essenciais e insubstituíveis, apesar da pandemia e do cenário de restrição de recursos orçamentários. Se isso não acontecer, a tendência é de sucateamento das infraestruturas mantidas pela União, o que irá gerar um ônus para as transportadoras e para economia brasileira”. 

Cases de Sucesso - Assim como no primeiro dia de evento, as apresentações de cases de sucesso de grandes marcas do mercado também chamaram a atenção dos participantes nesta quinta-feira. Um deles foi o da Amazon Logistics Brazil, com o country leader da companhia no país, Rafael Caldas. O executivo realçou as oportunidades locais para modelos alternativos de last mile. Outra exibição de destaque neste sentido foi a da Riachuelo, que salientou o processo de transformação digital da marca, com a diretora de logística e o diretor executivo de tecnologia da empresa, Anaia Bandeira e Carlos Alves.


Para saber mais, acesse - https://bit.ly/CC--Xperience-2021

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