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Os benefícios da intermodalidade no transporte agropecuário

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Não é de hoje que o Brasil busca soluções logísticas mais eficientes no que se refere à intermodalidade no transporte agropecuário. Saiba mais neste artigo!

Com uma produção concentrada basicamente no interior do país e, no outro extremo, os portos litorâneos servindo como principais vias de escoamento destes produtos para o exterior, não é de hoje que o Brasil busca soluções logísticas eficientes para essa complexa cadeia, sobretudo, no que se refere à intermodalidade no transporte agropecuário.

Prova disso é a expansão constante – ainda que insuficiente – de modais ferroviários, hidroviários, aéreos, entre outros no país nos últimos anos, ajudando principalmente a desafogar os gargalos e limitações do setor rodoviário.

E para bater um papo mais amplo sobre esses desafios e os benefícios da intermodalidade no transporte agropecuário, nós convidamos um especialista no assunto. Thiago Péra é coordenador técnico do Grupo de Pesquisa e Extensão em Logística Agroindustrial da USP e compartilha conosco algumas de suas visões sobre o tema.

Vamos conferir?

Como funciona a logística do transporte agropecuário e quais suas diferenças em relação à outras áreas?

Para explicar como funciona a logística no transporte agropecuário, Thiago inicia reforçando alguns dos aspectos e fatores que caracterizam a produção e distribuição de produtos no setor.

Ele destaca:

“O transporte intermodal no agronegócio apresenta algumas características que estão muito associadas ao sistema de produção brasileiro. Nesta linha, o Brasil é um país de dimensões continentais que possui uma geografia de produção e consumo bastante diversificada, com uma produção basicamente interiorana e com uma vocação para exportação.

O raio médio do transporte de grãos, por exemplo, tem sido na ordem de mais de mil quilômetros, que é um produto de baixo valor agregado – apesar da alta recente do preço das commodities no mercado internacional impulsionado pela alta do dólar – o que faz com que a participação do custo logístico no preço do produto seja alta. Algo diferente do que ocorre em outros segmentos, que normalmente apresenta uma distância de transporte relativamente baixa e normalmente com produtos de maior valor agregado.

Por exemplo, é muito comum observar a participação do preço do frete na ordem de 30% a 40% em relação ao preço da soja entregue no porto a partir do Mato Grosso.” - explica o especialista.

Ainda para complementar a questão, Thiago ressalta que, além das longas distâncias e dos custos inerentes ao transporte, há também a questão do aumento consecutivo nas demandas de distribuição destes produtos, o que torna a logística agropecuária ainda mais desafiadora nessas condições.

“Além disso, o volume de movimentação no segmento do agronegócio é extremamente elevado, passa de um bilhão de toneladas de cargas movimentadas por ano, em diferentes elos da cadeia de suprimentos e tipos de produtos – desde insumos até produtos, como alimentos. O setor de grãos normalmente ganha um destaque pois apresenta um volume de produção que ultrapassa duzentas milhões de toneladas produzidas por ano e apresenta uma distância média bastante elevada – o que eleva o TKU deste segmento.”

Como a intermodalidade pode ser útil no transporte agropecuário?

Ainda que novos investimentos em infraestrutura e a expansão gradativa de novos modais essenciais para o agronegócio brasileiro estejam sendo anunciados, a dependência das rodovias ainda é desafio para o setor.

Para explicar melhor este cenário, Thiago tem uma opinião bem coerente sobre a importância da intermodalidade no transporte agropecuário.

“O transporte rodoviário não é um vilão para o agronegócio, mas o seu uso inadequado para longas distâncias, em função da sua baixa eficiência energética (estamos falando em um rendimento médio de consumo de combustível de dois quilômetros por litro), aumenta significativamente o custo de transporte e prejudica a competitividade do setor.

Os benefícios de maior diversificação da matriz de transporte ultrapassam os efeitos econômicos e trazem também contribuições para a área social e ambiental, a partir da criação de empregos, criação de novas atividades comerciais, melhoria na segurança viária e redução das emissões de gases de efeito estufa. Por mais ferrovia e hidrovia que tenhamos, sempre teremos uma dependência do transporte rodoviário, pela característica do Brasil: um país de dimensões continentais que demanda o transporte intermodal, iremos substituir o transporte rodoviário de longa distância para curta distância (envolvendo regiões de produção e terminais), assegurando a demanda contínua por motoristas.”

Ele dá prosseguimento à sua visão, destacando também alguns levantamentos realizados pelo seu grupo técnico.

“O setor do agronegócio apresenta uma demanda reprimida bastante elevada para o uso de outras modalidades de transporte. Um estudo recente produzido pelo Grupo ESALQ-LOG em conjunto com o United States Department of Agriculture (USDA) mostrou que a dependência do transporte rodoviário para exportação na última década aumentou, em função de que o volume de exportação cresceu mais do que a capacidade de infraestrutura ferroviária e hidroviária no país para atender essa demanda.

Nesta linha, a intermodalidade é fundamental para garantir a competitividade futura do agronegócio brasileiro, visando reduzir custos logísticos, melhorar os níveis de emissões de gases de efeito estufa na logística, bem como, melhorar a segurança viária.

Em função da baixa quantidade de terminais ferroviários e hidroviários no país e de uma extensão relativamente pequena de infraestrutura, predomina-se o modelo intermodal de transporte para o agronegócio, com uma distância bastante elevada entre as regiões de produção e os terminais. No estudo produzido entre ESALQ-LOG/USDA foi estimado que a distância média no transporte rodoviário para os terminais ferroviários e hidroviários para o setor de grãos no Brasil é na ordem de mais de 700 quilômetros, uma viagem bastante longa, enquanto nos EUA essa distância é na ordem de 120 quilômetros.”

Como a tecnologia e inovação auxiliam na logística do agronegócio?

Com o aumento constante das demandas de produção e exportação no setor, Thiago é direto e objetivo quanto à necessidade de investimentos em infraestrutura e modernização nos processos da logística do agronegócio para continuar crescendo.

“Investir em infraestrutura de transporte é uma condição extremamente necessária para o crescimento do país e, principalmente, para garantir a competitividade do agronegócio brasileiro, de forma a proporcionar, que nas próximas décadas, a capacidade operacional no país cresça mais do que o já tão esperado crescimento da agricultura.

Dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento dão conta de que o Brasil aumentará a sua produção de grãos na ordem de quase 30% nos próximos dez anos. Caso não tenhamos crescimento de capacidade, os gargalos logísticos serão cada vez mais acentuados, correndo o país de ter um apagão logístico em 20 – 30 anos.”

O especialista continua sugerindo outras ações fundamentais para o desenvolvimento da logística agropecuária no Brasil.

“Outras ações podem melhorar a logística do agronegócio brasileiro, como, por exemplo, investimentos em armazenagem. A armazenagem pode proporcionar ganhos econômicos interessantes para o setor, além de evitar grandes picos concentrados no transporte de grãos, que causam uma perturbação no sistema, com formação de filas, desequilíbrio de oferta e demanda e aumento nos níveis de preços, uma vez que as regiões de produção quando colhem e não possuem armazenagem são obrigadas a movimentar o seu produto por caminhões. Além disso, o país demanda investimentos cada vez maiores em infraestrutura para garantir a competitividade – não somente em expandir capacidade e linhas ferroviárias e hidroviárias – mas, também em repor a depreciação das rodovias do país, principalmente em regiões remotas, como as fronteiras agrícolas.”

O que ainda pode melhorar na logística do agro?

Aproveitando o gancho das propostas acima e complementando o que ainda pode melhorar na logística do agronegócio no país, Thiago finaliza sua participação com as seguintes ideias:

“Além dos pontos destacados, temos muito a melhorar no que diz respeito à produtividade no segmento do transporte, principalmente em operações logísticas de carregamento e descarregamento, o que aumenta significativamente os custos.

É fundamental garantirmos a execução do planejamento estratégico de longo prazo em infraestrutura no Brasil para que a conta do futuro não encareça demais, com algum apagão logístico. Esse ano é um divisor de águas para o futuro da infraestrutura do país.” - conclui.

Essas são algumas questões e informações úteis sobre o atual cenário do setor e como a intermodalidade no transporte agropecuário no país se faz cada vez mais presente, mas acima de tudo, imprescindível para atender as altas demandas de produção.

Gostou? Quer saber mais sobre logística agropecuária e conferir outras participações de especialistas sobre o tema? Então, aproveite para ler também nosso próximo post e saiba o que esperar desse setor ainda nos próximos meses.

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